Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Cepal orienta a Nova Indústria Brasil (NIB) sobre a distribuição de investimentos no território nacional. A análise utiliza a Teoria da Complexidade para direcionar recursos a ‘clusters’ regionais, evitando a concentração histórica no Sudeste.
O trabalho, montado pelo economista João Paulo Romero, do Cedeplar, visa guiar a NIB na alocação de investimentos associados às seis missões da política industrial. O mapeamento identificou 86 subclasses da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), permitindo que incentivos públicos sejam direcionados a grupos operacionais com potencial de transbordamento. O estudo demonstra que descentralizar a indústria não significa pulverizar recursos, mas sim potencializar bases produtivas existentes.
A complexidade econômica mapeada para as atividades da NIB varia entre 0,33 e 0,63, indicando foco em setores avançados como semicondutores e biotecnologia. A análise regional mostra que as melhores possibilidades variam conforme a estrutura local. No Nordeste, as missões agroindustrial e digital apresentam maior potencial, enquanto no Sul, a defesa e a transformação digital lideram as bases regionais favoráveis.
As seis missões da NIB abrangem desde agricultura de precisão e medicamentos até tecnologias de soberania e defesa. O estudo conclui que a política industrial deve identificar os conhecimentos e fornecedores de cada território para estimular saltos para setores mais sofisticados, em vez de espalhar fábricas por decreto.

