A indústria de transformação brasileira pode ser a mais afetada por uma eventual elevação de tarifas dos Estados Unidos, segundo Saulo Abouchedid, professor da FIA Business School. O especialista afirmou que este segmento tem maior dificuldade em realocar suas exportações para outros mercados em comparação ao setor de commodities.
Abouchedid explicou que as empresas mais expostas ao mercado americano já iniciaram a diversificação de destinos desde as primeiras medidas protecionistas anunciadas pelos EUA. Contudo, ele avalia que a adaptação a produtos industrializados ocorre de forma mais lenta. O economista comentou que, embora muitos setores busquem reduzir a exposição ao mercado norte-americano, o processo é mais complexo para a indústria do que para as commodities.
O mercado de commodities, por sua vez, tende a sofrer impactos menores devido à maior flexibilidade para direcionar exportações a outros compradores. Além disso, as tensões no Oriente Médio têm beneficiado parte das exportações brasileiras, pois algumas commodities se tornam alternativas diante das dificuldades logísticas internacionais.
Sobre os reflexos macroeconômicos, o professor declarou que um aumento tarifário dificilmente provocará mudanças relevantes na inflação ou na taxa Selic em 2026. Segundo ele, a inflação brasileira permanece mais sensível às consequências do conflito no Oriente Médio, que pressionam custos de transporte e energia, do que às tarifas comerciais americanas.


