Dados do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) indicam que o estado apresenta uma economia nos investimentos em prevenção de desastres desde 2016, devido à baixa execução orçamentária. Essa prática contraria as medidas de alerta climático criadas para preparar a região contra chuvas e alagamentos.
O TCE/SC aponta que, ano após ano, apenas uma parcela do orçamento previsto para gestão de riscos foi executada. Em 2025, por exemplo, foram executados apenas 52% dos recursos, comparado a 43% em 2024 e 10% em 2016. Um auditor fiscal do TCE/SC explicou que o estado possui recursos, mas há um descompasso entre o planejamento e a execução das políticas públicas.
A situação se agrava com o aumento do risco de desastres. Em 2023 e 2024, Santa Catarina enfrentou chuvas intensas, influenciadas pelo El Niño, resultando em 114 mil desabrigados. O custo dos danos ultrapassou R$ 1,8 bilhão, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento Regional, e 14 pessoas morreram.
Um levantamento realizado por um conselheiro regional de biologia apontou que o estado deixou de aplicar R$ 432 milhões, valor que poderia financiar 20 vezes a obra de desassoreamento dos rios Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste. Além disso, em 2025, cerca de R$ 13 milhões destinados à prevenção foram utilizados para pagar propagandas do governo estadual.

