O primeiro navio porta-contêineres a operar com etanol produzido no Brasil zarpa do porto de Santos, marcando um teste inédito para a indústria nacional de biocombustíveis. A operação visa reduzir emissões no transporte marítimo, com o navio seguindo para a Ásia, destino final na China.
A iniciativa cria um mercado potencial para produtores de biocombustíveis e agricultores brasileiros, visto que o país é o segundo maior produtor de etanol do mundo. A adoção em larga escala do combustível renovável pode gerar uma redução significativa das emissões globais, já que o setor de navegação responde por até 3% dos gases de efeito estufa, segundo estudo de 2020 da Organização Marítima Internacional (IMO).
A viagem inaugural ocorre enquanto a IMO prepara a imposição de uma estrutura global de emissões líquidas zero ao transporte marítimo, diretriz aprovada em abril de 2025 e com adoção formal prevista para dezembro deste ano. Um representante de produtoras brasileiras de etanol calculou que a substituição de apenas 10% do consumo anual de combustível da navegação por etanol demandaria 32 bilhões de litros, volume equivalente ao mercado brasileiro.
A CMA CGM, proprietária do navio, planeja ter cerca de 200 embarcações adaptadas para combustíveis renováveis até 2031. Além disso, a mineradora Vale encomendou navios movidos a etanol a um estaleiro chinês, com entrega prevista para 2029, que poderão usar 100% etanol no transporte de minério de ferro.


