O tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz diminuiu devido às hostilidades entre Estados Unidos e Irã. Contudo, a direção dos preços do petróleo depende das decisões da China, maior importadora do mundo. O país reduziu drasticamente suas compras, influenciando o mercado global.
A capacidade da China de alterar o mercado ao ajustar suas compras de petróleo foi uma surpresa no conflito. Enquanto produtores da Opep historicamente ditavam os preços, o crescimento da produção nos Estados Unidos e a saída de membros como os Emirados Árabes Unidos enfraqueceram essa influência. Um analista da consultoria Eurasia Group afirmou que “a China hoje exerce, na prática, mais poder sobre o mercado do que qualquer outro país do mundo, incluindo Arábia Saudita e Estados Unidos”.
As tensões no Golfo Pérsico continuam um fator decisivo. O presidente Donald Trump declarou o restabelecimento de um bloqueio naval aos portos iranianos e anunciou que os EUA buscarão cobrar uma taxa de 20% sobre a carga transportada pelo estreito.
A dúvida do mercado reside no momento em que a China retomará as compras. A pesquisadora sênior do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia, Karen Young, disse que “o rumo da demanda chinesa é realmente a peça mais importante desse quebra-cabeça”. A Agência Internacional de Energia (AIE) apontou sinais de renovado interesse de compra chinês, apesar da queda de quase um terço nas importações em relação ao ano anterior.
Outro fator de pressão nos preços é a guerra Rússia-Ucrânia. A proibição russa de vendas externas de diesel e danos a refinarias elevaram o preço do combustível nos Estados Unidos para US$ 4,88 por galão, um aumento de 2,5% em relação à semana anterior, segundo a associação automobilística AAA.

