Astrobiólogos identificaram, pela primeira vez, o açúcar eritrulose em uma nuvem molecular próxima ao centro da Via Láctea. A descoberta, detalhada em estudo publicado na revista Nature Astronomy, aponta para um possível aporte de moléculas essenciais à vida na Terra vindo do espaço profundo.
A equipe realizou um levantamento espectroscópico cósmico utilizando telescópios do Institute for Radio Astronomy in the Millimeter Range (IRAM), localizado perto de Grenoble, França. A análise da região G+0.693-0.027, a cerca de 27 mil anos-luz da Terra, revelou 12 linhas espectrais correspondentes ao eritrulose. Os pesquisadores mediram pelo menos oito vezes mais desse açúcar do que em açúcares de três carbonos encontrados na mesma nuvem.
Segundo a coautora Izaskun Jiménez-Serra, astrofísica do Centro de Astrobiología (CAB), os achados foram inesperados. Investigações complementares, feitas por químicos da University of Extremadura e Radboud University, determinaram que o eritrulose pode se formar em partículas de gelo interestelar a partir de álcoois mais simples.
Os cientistas calcularam que entre 0,5 e 55 milhões de toneladas do açúcar podem ter atingido a Terra entre 3,8 e 4,1 bilhões de anos atrás, durante o período conhecido como Late Heavy Bombardment. O astrobiólogo Carlos Briones comentou que a detecção abre a possibilidade de encontrar outros açúcares importantes para a origem da vida no espaço, como a ribose.

