Setenta e dois por cento dos líderes empresariais afirmam que suas organizações falham em executar os planos aprovados, segundo um levantamento da McKinsey & Company. O relatório indica que o obstáculo reside na comunicação e na capacidade de traduzir estratégias em ações concretas, e não na qualidade do planejamento.
O estudo, intitulado State of Organizations 2026, revela que, apesar dos investimentos em transformação digital e inteligência artificial, o desafio central da gestão corporativa mudou. O foco passou a ser garantir que as decisões da liderança sejam compreendidas por quem deve executá-las.
Juliana Algodoal, especialista em comunicação corporativa, explica que muitas empresas confundem informação com compreensão. Ela afirma que a maior falha não é formular a estratégia, mas sim fazer com que a equipe entenda o que deve ser feito. O excesso de canais digitais, como e-mail e aplicativos de mensagens, fragmenta a atenção e dificulta a definição de prioridades.
Os custos da falta de clareza são mensuráveis. Pesquisa da Grammarly, em parceria com The Harris Poll, estima que empresas americanas perdem até US$ 1,2 trilhão anualmente por comunicação ineficiente. Além disso, um levantamento com 2.200 gestores brasileiros mostrou que 70% dos líderes acreditam ser o canal principal de comunicação, enquanto apenas 17% dos profissionais de comunicação interna concordam com essa visão.
A liderança precisa adaptar a linguagem ao público. Segundo Algodoal, líderes frequentemente planejam a fala sem ajustar o repertório ao ouvinte, o que gera prolixidade. Ela conclui que a clareza não é apenas uma virtude de comunicação, mas sim uma estratégia de gestão essencial para a execução.

