A corrida de dezenas de milhares de imigrantes de Marrocos a Ceuta, território espanhol no norte da África, resultou em 75 mortes no lado espanhol da fronteira, informaram autoridades nesta terça-feira (04/08). As vítimas no lado marroquino somam 11, e a maioria dos falecidos morreu afogada ao tentar contornar uma barreira no Mar Mediterrâneo.
O governo espanhol confirmou os números às agências de notícias. Dos 72 mil migrantes que chegaram a Ceuta, 70 mil já retornaram ao Marrocos, segundo o governo. Os que permaneceram enfrentam condições precárias, com dificuldades de acesso a abrigo, alimentação e saneamento. A organização Save the Children relatou a presença de cerca de 1 mil menores desprotegidos no local.
Em resposta à crise, Madri anunciou um pacote de 25 milhões de euros para auxiliar as autoridades de Ceuta na assistência de emergência aos menores desacompanhados. O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, declarou que os incidentes não colocaram em risco o espaço Schengen de livre circulação na Europa.
As autoridades espanholas indicaram que muitos migrantes saíram voluntariamente após perceberem poucas chances de chegar à Europa continental, além da falta de capacidade de acolhimento no exclave. A legislação espanhola prevê assistência obrigatória às crianças desacompanhadas, enquanto adultos podem solicitar asilo.

