Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgaram os resultados de um estudo piloto sobre a polilaminina, medicamento experimental para lesão medular. O trabalho, que envolveu oito participantes, indicou melhora nos pacientes, mas ainda necessita de testes clínicos para comprovar eficácia e segurança.
O estudo piloto, publicado na revista Spinal Cord, mostrou que a administração da droga gerou taxas de melhora superiores às observadas em casos comuns de lesão medular. Contudo, os autores reconhecem que a fase é inicial e não permite conclusões sobre o efeito direto da polilaminina ou sua segurança. Para avançar, são necessários estudos clínicos que comparem a terapia com o tratamento padrão-ouro, a cirurgia de descompressão da medula.
O laboratório Cristália, fabricante do remédio, informou que a primeira das três etapas de testes clínicos, autorizada pela Anvisa em janeiro, deve iniciar em agosto com o recrutamento do primeiro paciente. Nesta fase, serão selecionados cinco voluntários com lesões completas da medula espinhal torácica entre T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas. O objetivo primário é avaliar os riscos e efeitos colaterais da polilaminina.
Um especialista em neurocirurgia alertou para a cautela na interpretação dos dados iniciais. Ele explicou que o choque medular pode mascarar a gravidade real da lesão no momento da aplicação da substância, dificultando saber se a melhora foi espontânea ou causada pelo medicamento.

