A mostra Mãe, Filho e as Cinzas – A Liturgia Não Contada reúne três solos que exploram memórias e a construção de identidades no Teatro Sesc Paulo Gracindo, em Gama. O evento, que ocorre até domingo (9), apresenta as obras Miolo Mãe, Heranças do (A)mar e Incendiária, e é gratuito, oferecendo audiodescrição e Libras.
O projeto, realizado pelo Coletivo Poéticas da Meia Noite com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), foca em processos de pesquisa cênica baseados em vivências pessoais. Segundo Thiago Carvalho, diretor da mostra, a união dos trabalhos ocorreu porque os artistas estavam construindo peças que dialogavam sobre heranças afetivas e a formação da identidade. “Meu trabalho foi preservar a identidade de cada criação, fazendo com que elas dialogassem justamente porque são diferentes”, afirmou Carvalho.
Os espetáculos trazem linguagens distintas. Em Miolo Mãe, Helena D’Tróia utiliza a tradição do Bumba Meu Boi e histórias de seu avô maranhense para tratar de ancestralidade. Já Incendiária, de Fernanda Tiago, emprega o fogo como metáfora para discutir resistência feminina e identidade lésbica. Heranças do (A)mar aborda luto e solidão por meio de um tecelão solitário, segundo a descrição do projeto.
Kenia Dias, diretora convidada, comentou que, apesar das diferenças de linguagem, os trabalhos compartilham a relação direta com o público. O coletivo também promove conversas após cada apresentação, visando ampliar a experiência teatral para além do palco, permitindo que os espectadores reflitam sobre suas próprias histórias.

