O desgaste nas relações diplomáticas entre Brasil e Argentina preocupa setores da economia que dependem da integração bilateral, como o automotivo. Contudo, especialistas afirmam que os efeitos comerciais não são imediatos, pois o intercâmbio entre os países permanece amparado pelas regras do Mercosul.
Frederico Favacho, especialista em direito internacional, declarou que o cenário atual exige atenção, mas não deve alterar diretamente as operações comerciais no curto prazo. Segundo ele, as relações comerciais continuam sustentadas pelos acordos do bloco regional, pois as questões diplomáticas afetam mais as relações políticas entre as nações.
Favacho explicou que um agravamento do conflito político poderia levar à adoção de medidas burocráticas ou aduaneiras, afetando o ambiente de negócios. Em um estágio mais grave, a criação de barreiras comerciais seria uma quebra do acordo do Mercosul.
Apesar da tensão, a forte ligação econômica atua como fator de contenção. O especialista ressaltou que a indústria automotiva dos dois países é complementar, criando uma interdependência que dificulta uma ruptura comercial. A medida diplomática, na visão de Favacho, funciona como uma sinalização política de insatisfação do governo brasileiro.

