O preço do querosene de aviação subiu 49,8% entre 2024 e 2026, saltando de R$ 5,66 para R$ 8,48 o litro, segundo levantamento da Qive. O encarecimento, ligado a conflitos internacionais e ao risco no Estreito de Ormuz, levou o mercado B2B a reduzir as aquisições em até 63%.
O aumento drástico nos insumos energéticos afetou severamente o setor de transporte e logística. A análise da Qive, baseada em 17,7 milhões de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) que movimentaram R$ 386,4 bilhões, mostrou que a contração média no volume de insumos foi de 11,5% nos primeiros cinco meses de 2026. No caso específico do querosene de aviação, a quantidade comprada despencou 62,6%.
A simulação da pesquisa indica que, se os volumes operados em 2025 tivessem sido mantidos com os preços de 2026, o setor aéreo teria um custo adicional de R$ 7,8 bilhões. Além da aviação, outros modais sentiram o impacto: óleo combustível registrou alta de 34,5%, e óleo diesel avançou 14,4%, atingindo R$ 7,15 o litro em 2026.
Daniel Paschino, CFO da Qive, explicou que a retração reflete uma estratégia defensiva das corporações. Ele afirmou que as empresas frearam as compras na esperança de um conflito de curta duração. O executivo também pontuou que a forte oscilação induziu o mercado a buscar alternativas, deslocando demanda para insumos mais acessíveis.

