A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recebeu uma denúncia anônima em fevereiro de 2022 sobre manipulação contábil no Banco Master, mas arquivou o caso. Três anos e nove meses depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, forçando o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a desembolsar R$ 57 bilhões para cobrir os prejuízos.
A denúncia inicial apontava que o Master utilizava ativos de baixa liquidez e fundos de investimento para mascarar prejuízos e inflar artificialmente os balanços. O relato também afirmava que a instituição dependia da captação de novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para honrar resgates, configurando um esquema comparado a uma pirâmide.
A investigação subsequente revelou que a denúncia mencionava empresários como sócios ocultos e um executivo como presidente do banco. A CVM já mantinha 56 processos envolvendo o grupo Master e havia enviado 13 comunicações a órgãos de controle, como o Ministério Público Federal (MPF) e o Banco Central, desde 2017.
Em 2026, a autarquia criou um grupo de trabalho para revisar sua atuação no caso. Em relatório interno, o colegiado reconheceu que os principais fatos descritos na denúncia se confirmaram. O documento apontou que o arquivamento inicial, sem apuração, é um procedimento que precisa ser revisto, e a Corregedoria da CVM passou a analisar a decisão de 2022.

