Um economista avaliou que os controles de risco da Apex Partners falharam na estrutura financeira ligada à compra de ações da CVC. A análise, baseada em dados públicos, sugere que a queda no valor dos papéis da companhia de turismo pode ter reduzido as garantias da operação.
Roberto Luis Troster, economista e ex-economista-chefe da Febraban, declarou que o controle de risco é o “freio que permite a instituição crescer mais” e que, no caso em questão, esse freio falhou. Segundo Troster, uma hipótese é que a estrutura utilizou as próprias ações adquiridas como garantia para obter recursos. Uma queda acentuada no preço do ativo gera a necessidade de reforço das garantias.
O especialista destacou que a pressão sobre os papéis da CVC pode decorrer da estrutura financeira e da necessidade de venda de posições, e não do desempenho operacional da companhia de turismo. Para Troster, o episódio levanta dúvidas sobre a qualidade dos testes de estresse utilizados para medir a resistência da operação a cenários adversos.
Apesar da gravidade, o economista afirmou que as informações atuais não são suficientes para concluir que houve fraude. Ele resumiu que, na leitura mais otimista, o caso pode ser resolvido com a liquidação dos ativos. Troster também esclareceu que fundos de investimento não possuem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

