O embaixador da Argentina em Brasília deixará o país neste domingo (9). A saída ocorre após o Itamaraty decidir rebaixar a relação diplomática com o governo de Javier Milei para o nível de encarregados de negócios. A crise bilateral, considerada a mais grave desde o retorno da democracia, teve início com ofensas do presidente argentino contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O diplomata argentino recebeu uma nota de protesto do Itamaraty na terça-feira (4) devido à continuidade dos insultos de Milei ao presidente Lula. A crise se intensificou em 25 de julho, durante um ato em São Paulo, quando o presidente argentino chamou Lula de presidiário e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca”.
O governo brasileiro rebaixou as relações bilaterais, decidindo que o embaixador brasileiro em Buenos Aires não regressaria à Argentina enquanto as agressões de Milei persistissem. O Brasil será representado no país vizinho por um Encarregado de Negócios, cargo mais baixo que expressa o rebaixamento diplomático.
O governo argentino lamentou a decisão, argumentando que ela foi adotada por questões “puramente ideológicas”. O Itamaraty, por sua vez, defendeu que as ofensas foram o motivo do rebaixamento, mantendo a postura de que relações diplomáticas são mantidas com governos de todos os perfis ideológicos.

