A União Europeia elevou as exigências de sustentabilidade, rastreabilidade e controle ambiental para produtos que entram em seu mercado. As mudanças pressionam o agronegócio brasileiro a ajustar suas cadeias produtivas para manter o acesso ao bloco europeu, segundo o pesquisador Leandro Gílio, do Insper Agro Global.
As novas normas europeias incluem restrições ao uso de antimicrobianos na produção de carne e critérios ambientais mais rigorosos. Gílio afirmou que o Brasil precisa se adaptar ao modelo de produção exigido se desejar continuar exportando para o bloco. A rastreabilidade, por exemplo, exige comprovação da origem e do percurso do produto até o consumidor, o que gera custos adicionais para os produtores.
O especialista explicou que o desafio aumenta devido à diversidade da cadeia produtiva brasileira. Uma alternativa discutida pelo setor é criar mecanismos para separar a produção destinada à União Europeia daquela voltada a outros compradores. Contudo, a adequação representa um desafio financeiro, especialmente para produtores menores, pois o cumprimento depende de uma organização ampla do setor.
Apesar das dificuldades, Gílio avalia que o mercado europeu funciona como uma validação internacional. Atender aos critérios rigorosos do bloco pode facilitar a entrada do Brasil em outros mercados, demonstrando capacidade de cumprir padrões globais.

