A lipoproteína(a), ou Lp(a), é uma fração de colesterol determinada majoritariamente pela genética e associada a um risco de infarto até três vezes maior. Especialistas apontam que, embora dieta e exercícios não alterem esse valor, novas diretrizes médicas recomendam sua dosagem em adultos.
A Lp(a) difere do LDL, que varia com hábitos de vida, pois sua concentração é definida em cerca de 90% pela herança familiar, segundo o cardiologista Elzo Mattar, diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Estima-se que uma em cada cinco pessoas apresente níveis elevados, muitas vezes sem saber. Mattar afirma que a fração não se corrige com dieta, sendo um fator de risco que exige atenção adicional.
O interesse na Lp(a) cresceu após estudos ligarem seus níveis altos a desfechos graves. Valores acima de cerca de 50 mg/dL, o quartil mais alto da população, indicam risco de infarto três vezes maior e favorecem a calcificação da válvula aórtica. Por atuar independentemente do LDL, a Lp(a) serve como um marcador adicional de risco cardiovascular.
A dosagem da Lp(a) passou a ser recomendada pelo American College of Cardiology e pela American Heart Association em março de 2026 para todos os adultos. Embora o exame não exija tratamento imediato, ele alerta para a necessidade de controle rigoroso de outros fatores, como LDL, triglicerídeos e pressão arterial. No campo terapêutico, o medicamento pelacarseno, da Novartis, é um foco de testes, apresentando redução de cerca de 80% em estudos iniciais.

