O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) abriu uma investigação para apurar suspeitas de irregularidades e prejuízo aos cofres públicos na operação do cartão TOP, sistema de bilhetagem eletrônica usado no Metrô, CPTM e EMTU. A apuração, iniciada após representação da Bancada Feminista do PSOL, foca no modelo de gestão que transferiu o controle da arrecadação a entes privados.
A decisão do TCE-SP, tomada em 29 de julho, coloca sob análise o modelo de gestão mantido e ampliado pela administração Tarcísio de Freitas, herdado do governo João Doria. A representação da Bancada Feminista do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) contesta a substituição de bilhetes físicos por QR Code e autoatendimento, apontando potencial conflito de interesses entre a Associação Brasileira das Empresas de Cartões do Transporte de Passageiros (Abasp) e a Autopass, gestora da tecnologia do cartão TOP.
Na estrutura do sistema, a Abasp contratou a Autopass sem licitação. As duas entidades compartilham acionistas e dirigentes ligados a grupos econômicos do setor de transporte rodoviário. Em 2025, enquanto a Autopass faturou R$ 220,1 milhões, Metrô e CPTM buscaram na Justiça R$ 119,5 milhões em repasses pendentes do antigo cartão BOM, retidos por empresas de ônibus.
Especialistas em mobilidade urbana afirmam que a perda da gestão direta sobre a bilhetagem comprometeu a autonomia do Estado. O geógrafo Rafael Calabria avalia que Metrô e CPTM perderam o controle direto sobre a arrecadação, sendo inseridos em uma estrutura com posição minoritária frente aos empresários do setor rodoviário. A nova apuração do TCE-SP unificou processos que analisavam movimentações financeiras entre 2019 e 2022, sob relatoria do conselheiro Maxwell Borges de Moura Vieira.


