A Polícia Federal formalizou o indiciamento de 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass por mortes decorrentes da queda do voo 2283 em Vinhedo, São Paulo. A investigação concluiu que o acidente não foi um erro isolado, mas resultado de omissões operacionais e falhas de gestão na companhia aérea.
O superintendente regional da PF em São Paulo, Rodrigo Luis Sanfurgo de Carvalho, detalhou os achados em coletiva na tarde desta quinta-feira (06). A apuração apontou uma sequência de erros, violações de protocolos de segurança e inobservância de manuais técnicos. As condutas foram enquadradas no crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, previsto no artigo 261 do Código Penal.
O laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF identificou a causa como a perda de controle em voo, decorrente do acúmulo de gelo na aeronave e da inoperância do sistema pneumático de degelo. O relatório também apontou a não execução tempestiva de cinco procedimentos de emergência previstos pela fabricante.
A reconstituição dos fatos, baseada em áudios da cabine, revelou um cenário de inação generalizada. A tripulação operou ciente da degradação dos sistemas, ignorando alertas de falha pneumática contra o gelo. A PF concluiu que a tripulação endossou a cultura sistêmica de negligência da companhia.


