A Prefeitura de Poços de Caldas anunciou a criação de um comitê para tratar da exploração de Terras Raras, quase dois anos após o início do empreendimento estrangeiro. A medida, divulgada pelo prefeito Paulo Ney, é criticada por especialistas e moradores por ser tardia e não ter garantido compromissos ambientais prévios.
A iniciativa surge após meses em que o poder público municipal foi visto defender os interesses da mineradora em audiências, em vez de proteger a população e o meio ambiente. Críticos apontam que, quando solicitado o mínimo — como compromissos assinados e garantias de preservação hídrica e de qualidade do ar —, a resposta foi a omissão.
O empreendimento de Terras Raras é classificado como de risco máximo, e o Projeto Colossus prevê captar cerca de 3 milhões de litros de água por dia e movimentar 5 milhões de toneladas de solo anualmente, sobre área de infiltração da bacia que abastece a cidade. A Justiça Federal já determinou a reavaliação do risco radiológico dos projetos, devido à associação natural dos minérios com tório e urânio.
Apesar do anúncio, a imprensa aponta que o comitê nasce sem participação popular efetiva, composto majoritariamente por aqueles que demonstraram conivência com as empresas estrangeiras. A gestão municipal é questionada sobre a omissão em exigir documentos legalmente firmados antes da concessão do uso do solo.


