Um estudo publicado em 6 de agosto identificou níveis elevados de resistência a antibióticos em bactérias encontradas em javalis europeus criados em fazendas comerciais de Goiás. Os resultados alertam para a saúde pública, pois os animais podem disseminar microrganismos resistentes entre áreas agrícolas, ambientes naturais e outros animais.
A pesquisa analisou amostras de 100 javalis em duas propriedades e buscou identificar bactérias como Escherichia coli e Salmonella. A E. coli foi detectada em 56 animais, sendo que 55 deles apresentavam resistência a múltiplas classes de antibióticos, incluindo tetraciclina, amoxicilina, ampicilina e doxiciclina. A Salmonella apareceu em apenas uma amostra, também resistente a vários medicamentos.
Os pesquisadores afirmaram que os javalis não recebiam antibióticos de forma rotineira. A hipótese levantada é que os animais possam ter adquirido as bactérias resistentes a partir do ambiente, visto que genes de resistência podem permanecer no solo e na água. Os javalis são considerados espécie invasora no Brasil e interagem com rebanhos, animais silvestres e seres humanos.
Os autores sugeriram que a espécie deve ser incluída em programas de monitoramento sanitário. Contudo, os pesquisadores ressaltaram que os dados foram coletados entre 2014 e 2017 e abrangem apenas duas fazendas, limitando a generalização dos resultados para toda a população do país.


