O leilão do canal de acesso ao Porto de Santos será decisivo para testar a viabilidade do modelo de concessão de infraestrutura portuária no Brasil. A iniciativa, que transfere a manutenção de acessos náuticos para o setor privado, servirá de referência para projetos em Itajaí e Rio Grande do Sul.
O governo federal iniciou o plano de transferir a responsabilidade pela manutenção de acessos portuários para a iniciativa privada após o leilão de Paranaguá, realizado em outubro de 2025. O modelo abrange atividades como dragagem, sinalização náutica e gestão operacional dos canais. Segundo o CEO do MoveInfra, Ronei Glanzmann, a nova modelagem vincula a remuneração à garantia da navegabilidade, e não ao volume de sedimentos dragados, evitando uma lógica excessiva de dragagem.
Apesar da avaliação positiva de parte do mercado, há agentes que consideram o modelo oneroso. A crítica aponta que a estrutura transfere riscos de demanda e custos de manutenção ao setor privado, devido a variáveis como assoreamento e eventos hidrológicos extraordinários. Para esses participantes, o sucesso dependerá de mecanismos de reequilíbrio contratual.
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) afirmou que as empresas demonstram interesse nos certames, e que o edital de Itajaí tem previsão de publicação em agosto. Já a consultora Simone Mayara, do Instituto Livre Mercado (ILM), manifestou cautela, questionando a replicação do modelo em canais com características operacionais distintas.

