O Brasil e a Argentina enfrentam a mais grave crise diplomática em cerca de 40 anos, após o Itamaraty rebaixar as relações em resposta aos ataques do presidente argentino a presidente brasileiro. A tensão, que se intensificou desde julho, coloca os vizinhos em um ponto de desavença inédito.
A deterioração das relações diplomáticas foi determinada pelo Itamaraty em resposta às declarações do presidente argentino contra o presidente brasileiro. Segundo membros do governo brasileiro, as relações se limitarão aos encarregados de negócios enquanto os ataques persistirem. Uma professora de relações internacionais da Uerj, Miriam Saraiva, afirmou que tal medida “não tem precedente pelo menos desde o século 19”, explicando que a ausência de embaixador restringe as iniciativas bilaterais.
A crise atual teve início em 25 de julho, quando o presidente argentino fez ofensas ao presidente brasileiro durante um evento político no Brasil. A convocação dos embaixadores não resolveu a situação, já que o líder ultraliberal reafirmou os ataques em entrevista a veículos de comunicação. Embora a história dos dois países contenha rivalidades, como a Crise dos Encouraçados no início do século 20, a atual situação é marcada pela intensidade das ofensas.
A convivência entre as nações, que se fortaleceu com acordos como a Declaração do Iguaçu em 1985, sofre com a nova onda de polarização política. Um professor de política internacional da Uerj, Paulo Velasco, comentou que, embora questões práticas como comércio e investimentos se mantenham, a falta de impulso político dificulta a catalisação de projetos na América do Sul.

