Um depósito submarino ao largo de Chipre passará a abastecer consumidores europeus a partir de março de 2028. A iniciativa, que reforça o Mediterrâneo Oriental como fornecedor, é resultado do desenvolvimento do campo Cronos pelo consórcio Eni-TotalEnergies.
A descoberta de gás natural no Mediterrâneo Oriental impulsiona a busca europeia por novos fornecedores, em um contexto de instabilidade geopolítica. A TotalEnergies e a Eni assumiram o desenvolvimento do campo Cronos, ao sul de Chipre, o que marca a primeira vez que gás dessa região segue para o mercado europeu.
O consórcio planeja iniciar a construção de um gasoduto ainda este ano. A obra ligará o campo Cronos à infraestrutura do depósito Zohr, no Egito, a 105 quilômetros de distância. A rota, considerada a mais viável economicamente, tem custo estimado em US$ 2 bilhões e deve estar pronta em até 18 meses, permitindo o envio do gás liquefeito à Europa.
Embora o acordo preveja o envio total do gás para a Europa, uma cláusula permite que um quinto da produção seja destinado à demanda energética do Egito. Além de Cronos, outros campos, como Glaucus e Pegasus, devem iniciar produção até 2033, conforme dados da ExxonMobil e QatarEnergy.
O campo Afrodite, descoberto há 15 anos, aguarda decisão final da Chevron em 2027. Este projeto também se insere na iniciativa IMEC, que visa conectar o Golfo Pérsico, a Índia e a Europa, apesar de enfrentar entraves burocráticos.

