Os resultados do segundo trimestre dos grandes bancos brasileiros indicam resiliência de receitas, mas também elevam preocupações com a qualidade dos ativos. O Banco do Brasil, que divulgará seu balanço em 12 de agosto, deve acompanhar os sinais de alerta, visto que possui grande exposição ao agronegócio.
A análise dos resultados dos concorrentes aponta desafios no setor rural. O Bradesco, por exemplo, registrou deterioração na carteira do John Deere Bank, instituição focada no financiamento do agronegócio. Segundo o JPMorgan, cerca de 10% da carteira da instituição migrou de Stage 1 para Stage 2 no trimestre, o que representa um risco de inadimplência, com aproximadamente R$ 1,7 bilhão em operações afetadas.
A preocupação com a qualidade dos ativos também foi notada no Santander, que frustrou o mercado com provisões maiores e receitas fracas. Em contraste, o Itaú demonstrou estabilidade, mantendo a inadimplência acima de 90 dias em apenas 1,9%, apoiado por uma estratégia de crédito mais seletiva e um ROE de 24,3%.
Para o Banco do Brasil, os indicadores de crédito rural são cruciais. Investidores acompanharão se haverá aumento de provisões no setor e como o banco compensará pressões de crédito com receitas de serviços. Analistas apontam que a MP 1376 pode aliviar a pressão financeira dos produtores no segundo semestre.


