Sistemas de inteligência artificial estão alterando laboratórios de fertilização in vitro ao analisar o desenvolvimento embrionário em tempo real. A tecnologia utiliza algoritmos para pontuar embriões, auxiliando especialistas na escolha com maior potencial de implantação.
O uso da IA em clínicas de fertilização tem crescido em função do aumento de tratamentos de reprodução assistida. Os sistemas registram milhares de imagens nos primeiros dias de desenvolvimento e identificam padrões associados a melhores chances de evolução, atribuindo pontuações aos embriões para a seleção de transferência.
Pesquisas internacionais validam o avanço. Um estudo de 2025 analisou 68.471 embriões e confirmou a IA como ferramenta complementar. Outra pesquisa, de 2023, demonstrou taxa de implantação de 80,87% em ciclos com auxílio da IA, comparada a 68,15% na avaliação manual tradicional.
Apesar dos resultados promissores, especialistas reforçam que a tecnologia não substitui o conhecimento humano. O ginecologista e obstetra Dr. Vinícius Bassega, membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, disse que a IA deve ser vista como um apoio em um processo biologicamente complexo. Ele afirmou que a decisão final não depende apenas da tecnologia, pois a reprodução humana envolve fatores genéticos, hormonais e uterinos.
A discussão também envolve aspectos éticos, visto que muitos modelos foram desenvolvidos com dados retrospectivos. Os especialistas defendem que a IA deve funcionar como suporte ao trabalho médico e embriológico, e não como substituição da experiência humana.

