O setor de saneamento brasileiro contratou mais de R$ 227 bilhões em investimentos em concessões entre 2020 e junho de 2026. O setor privado já atua em cerca de 48% dos municípios, impulsionado pelo Novo Marco Legal, mas o tratamento de esgoto ainda atinge apenas 51,8% do volume gerado em 2024.
O levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon) aponta que o setor vive uma transformação impulsionada pela segurança jurídica do Marco Legal. Segundo a diretora técnica e econômica da Abcon, as metas de universalização deixaram de ser aspiracionais e se tornaram compromissos contratuais, o que desencadeou investimentos. Em 2024, o setor registrou R$ 29,1 bilhões investidos em água e esgoto, um crescimento de 9% em relação ao ano anterior.
Apesar dos avanços, como o aumento de 7,7 milhões de domicílios com água diária desde 2020, o tratamento de esgoto permanece como o principal obstáculo. Enquanto 780 municípios universalizaram o acesso à água tratada, apenas 321 cidades completaram o serviço de esgoto. A diretora técnica da Abcon explicou que muitos municípios pequenos dependem de recursos federais e enfrentam barreiras burocráticas.
Além disso, a Reforma Tributária pode impactar as tarifas em média 18%, exigindo reequilíbrios econômico-financeiros em milhares de contratos de concessão para não comprometer os investimentos.


