A Nortec, fabricante de insumos farmacêuticos ativos na América Latina, está alterando seu modelo de negócio. A empresa migra de fornecedora de matéria-prima para genéricos para uma plataforma de fabricação sob encomenda, visando crescer no setor de medicamentos ainda sob patente.
A pressão da concorrência de milhares de empresas chinesas e indianas levou a indústria de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) de genéricos à comoditização. Diante disso, a Nortec reorientou sua estratégia. A companhia planeja que, nos próximos cinco anos, a participação de medicamentos sob patente no seu negócio aumente de 5% para 30% ou 40%.
O CEO da Nortec, Marcelo Mansur, explicou que competir com empresas internacionais no mercado de genéricos não é viável para a empresa brasileira. Ele afirmou que o mercado de genéricos segue um caminho de comoditização. A empresa, que historicamente dependeu de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) — que representaram cerca de 40% do faturamento entre 2015 e 2017 —, diversificou sua receita no setor privado.
A nova direção foca na fabricação sob encomenda de novas moléculas. As margens para produzir princípios ativos de medicamentos patenteados são superiores às dos genéricos, onde a margem EBITDA da Nortec varia entre 10% e 15%. Para suportar essa mudança, a companhia investiu mais de R$ 60 milhões em laboratórios e estrutura analítica. Além disso, fechou uma linha de financiamento de R$ 35,4 milhões junto ao BNDES em 2025 para pesquisa e desenvolvimento.

