O Bradesco BBI aconselha investidores a manterem posições em ações brasileiras sensíveis à queda da taxa Selic, apesar do cenário de juros elevados e da política monetária mais restritiva dos Estados Unidos. A equipe do banco argumenta que a inflação doméstica apresentou sinais de desaceleração, abrindo espaço para cortes futuros da taxa básica de juros.
Segundo a equipe liderada por Pedro Grimaldi, a inflação, que registrou números inferiores aos projetados pelo mercado entre fevereiro e maio, sinaliza uma possível mudança no ciclo econômico. Indicadores de atividade mostram perda de fôlego na indústria e no setor de serviços após um período de juros reais altos. Com base nisso, o Bradesco BBI projeta uma redução de cerca de 300 pontos-base na Selic até o final de 2027, levando a taxa atual de 14% para aproximadamente 11%.
O banco identificou um ranking de companhias mais expostas a esse ciclo de afrouxamento monetário. Os critérios de seleção incluíram a duração dos fluxos de caixa, a correlação histórica com os juros de cinco anos e a sensibilidade dos lucros a um corte de 100 pontos-base. Entre os papéis destacados estão CSN, Movida, Cosan, Ecorodovias, Rumo, Energisa, Tenda, Dasa, Cogna e Magazine Luiza.
Apesar da recente reprecificação das taxas americanas, o BBI sustenta que o ciclo brasileiro é determinado pela desinflação local. O banco mantém o Brasil como mercado favorito na América Latina, com recomendação de *outperform*, e observa que a reserva de liquidez doméstica pode migrar para a Bolsa à medida que as taxas de reinvestimento diminuem.


