Um menino de três anos morreu após ser picado por um escorpião em Conchal, São Paulo, em março deste ano. A Polícia Civil indiciou um médico por homicídio culposo, alegando que os protocolos de atendimento à criança não foram seguidos.
A investigação policial identificou seis falhas na conduta do profissional. Entre elas, destaca-se a não transferência imediata da criança para um hospital de referência que possuísse o soro antiescorpiônico, conforme normativas médicas.
O inquérito aponta que o atendimento inicial ocorreu no Hospital e Maternidade Madre Vannini. Apesar de o hospital de referência mais próximo ser a Santa Casa de Araras, o médico responsável optou por manter a criança em observação na unidade local. Além disso, houve demora no contato formal com a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), que ocorreu mais de duas horas após o acidente.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) informou à polícia que, na ausência do soro na unidade inicial, a transferência imediata para um local com soroterapia é obrigatória. O perito do Instituto Médico Legal (IML) constatou falha na observância dos protocolos específicos para vítimas pediátricas.
Diante dos fatos, a polícia solicitou cautelarmente o afastamento do médico de suas atividades de urgência e emergência. O Ministério Público analisará o inquérito de dezesseis páginas para decidir sobre o recebimento da denúncia.


