A crise econômica global estimula o mercado de compra e venda de ouro no Rio de Janeiro. Roubos de joias nas vias públicas aumentam, alimentando o comércio informal de metais preciosos, apelidado de “Boca de Ouro”.
A busca por um ativo mais estável leva investidores a comprar ouro. Criminosos organizados intensificam ações na cidade, ampliando o comércio de joias usadas. Na Rua Uruguaiana, no Centro, a disputa pelo metal ocorre em locais movimentados. Em vias da Tijuca, na Zona Norte, e de Copacabana, na Zona Sul, placas anunciam a negociação.
Muitas transações ocorrem em salas comerciais sem identificação. Um avaliador de metal informou que o ouro adquirido é derretido rapidamente. Segundo a legislação, aprovada em dois mil e quinze pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), estabelecimentos devem registrar-se e comprovar a regularidade das operações.
A lei prevê que toda transação deve ser documentada com cópia de identidade do vendedor, declaração de propriedade e comprovante de residência. Contudo, o texto nunca foi regulamentado pelo Executivo. A Secretaria de Segurança Pública confirmou que o cadastro não existe. O Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) orienta que as empresas formais devem estar cadastradas no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
Um caso de grande repercussão ocorreu em julho, quando um empresário de sessenta e seis anos sofreu emboscada no Recreio, na Zona Sudoeste. A vítima foi seguida por dois homens no supermercado. Segundo policiais envolvidos, uma dupla de moto surpreendeu o homem no estacionamento. O assaltante atirou contra a barriga da vítima, que foi socorrida, mas sofreu lesões graves.


