A desaceleração da inflação tende a diminuir os retornos de aplicações atreladas ao IPCA, como o Tesouro IPCA+ e debêntures incentivadas. O índice registrou 0,07% em julho, com expectativa de deflação em agosto, embora a inflação acumulada em 12 meses ainda fique em 4,44%.
O retorno mensal de um título indexado combina o juro real contratado e a variação do IPCA. Com o IPCA em 0,07%, o retorno de um título Tesouro IPCA+ com taxa de 7% ao ano alcança 0,64% no período. Para o título com taxa de 8% ao ano, o retorno total sobe para 0,71%, enquanto o CDI ficou em cerca de 1,1% no mesmo período.
Luís Garcia, diretor de investimentos da SulAmérica Investimentos, afirmou que o baixo IPCA de julho era esperado pelo mercado e não deve mudar a estratégia de quem busca ativos indexados. Ele pontuou que o rendimento do título pode ficar abaixo do CDI neste mês, mas o rendimento real permanece atrativo.
Matheus Jaconeli, analista de investimentos e portfólio da ZIIN DTVM, ressalta que, mesmo com rentabilidade nominal menor no curto prazo, o papel de inflação do Tesouro continua necessário para o portfólio. Daniele Bresolin Zuchetto, consultora de investimentos da Unicred Porto Alegre, complementou que a inflação de um mês tem pouca importância para quem investe no longo prazo, sendo a trajetória geral o fator determinante.


