O déficit orçamentário dos Estados Unidos registrou um salto para 432,3 bilhões de dólares em julho, marcando o maior déficit mensal desde março de 2021. Os recebimentos somaram 334 bilhões, contra 766 bilhões em despesas. O dado surge enquanto autoridades da Casa Branca avaliam novas medidas de redução tributária.
O Relatório Mensal do Tesouro dos EUA divulgou o valor do rombo, que reflete um descompasso entre receitas e gastos. O déficit acumulado no ano, até sete meses, atingiu 1,799 trilhão de dólares. O Departamento do Tesouro apontou que parte do gasto acelerado em julho se deu por conta de pagamentos de militares ativos, benefícios de veteranos e Medicare, cujas datas normais caíram em dias não úteis.
A composição dos números de julho mostra que impostos sobre a renda individual arrecadaram 173 bilhões de dólares, valor inferior aos 174 bilhões gastos com o Medicare no mesmo período. Receitas de seguridade social e aposentadoria foram de 139 bilhões, abaixo dos 141 bilhões destinados ao Social Security. Os juros líquidos alcançaram 104 bilhões apenas em julho.
Em relação à política fiscal, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, informou que a administração pode apresentar novos benefícios fiscais antes das eleições intermediárias. Entre as propostas estão a indexação de ganhos de capital à inflação e um aumento na exclusão para vendas de residências principais. Tais mudanças exigiriam uma lei do Congresso.
Investidores observam o cenário com atenção. O ETF de títulos do Tesouro com vencimento acima de 20 anos fechou em 82,11 dólares, com queda de 6,54% no ano. A tensão entre receitas menores e gastos crescentes pressiona os mercados de renda fixa e real.


