O investidor Michael Burry apontou um ciclo de financiamento circular envolvendo a Inteligência Artificial. O alerta surge em meio a planos de investimento de cerca de 770 bilhões de dólares em infraestrutura de IA para 2026, questionando a origem dos recursos.
O analista, conhecido por apostas em hipotecas subprime antes de 2008, mapeou um diagrama que mostra como a receita de IA se mantém forte mesmo com fluxo de caixa livre negativo. Sua conclusão é que o dinheiro está circulando, e não se multiplicando.
O diagrama rastreia compromissos de compra e participações diretas entre empresas como Microsoft, Oracle, Amazon, Google, Meta Platforms, OpenAI, Anthropic, xAI, CoreWeave, Nvidia e Advanced Micro Devices. A Nvidia figura no centro desse ecossistema, com uma avaliação de 5,4 trilhões de dólares.
O Bank for International Settlements alertou em relatório de junho que a dívida dos grandes provedores de serviços em nuvem (hyperscalers) ligada à IA cresce mais rápido que o que aparece nos balanços. Essa dívida fora do balanço, estimada em cerca de 1,65 trilhão de dólares para os cinco maiores, não é vista nos indicadores de alavancagem padrão.
Embora o CEO da Nvidia tenha chamado o termo “financiamento circular” de ridículo, o mecanismo permite que o mesmo valor apareça como receita em múltiplos pontos da cadeia. O risco, segundo o analista, reside no fato de a receita se tornar autorreferencial, e a dívida de suporte ficar invisível.


