O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, entregou-se à Polícia Federal em Brasília na noite desta quarta-feira, dia 12. Lopes estava foragido desde novembro do ano passado, quando teve a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A rendição ocorre no âmbito da Operação Sem Desconto. Investigadores apontam que a Conafer e seu presidente figuram como peças centrais em um esquema que promovia filiações falsas. O esquema aplicava descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As cobranças indevidas sob apuração podem somar R$ 6,3 bilhões.
Entre dois mil dezenove e dois mil vinte e quatro, a Conafer registrou o maior crescimento absoluto em arrecadação por abatimentos em benefícios do órgão previdenciário. O faturamento da entidade saltou de R$ 400 mil para R$ 277 milhões anuais, conforme relatórios policiais. Em casos apurados, segurados autorizaram repasses de R$ 28,24, mas sofreram retenções mensais de R$ 79,06, um acréscimo de 180% sobre o valor registrado.
O inquérito, iniciado por auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), foi concluído no mês passado com o indiciamento de quarenta e oito pessoas. A Polícia Federal defendeu ao STF que Carlos Lopes responda por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Entre os indiciados estão ex-dirigentes da autarquia previdenciária.


