A construção civil brasileira cresce, com o apoio das obras de infraestrutura superando a geração de empregos do mercado imobiliário tradicional no primeiro semestre, conforme dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A entidade projeta expansão de 1,2% para o setor em 2026, apesar dos juros altos.
Em janeiro e junho, a infraestrutura criou 64.793 vagas com carteira assinada, um aumento de 30,3% em relação ao ano anterior. Em comparação, a construção de edifícios gerou 60.552 vagas, representando queda anualizada de 2,19%. O total de postos formais abertos na construção civil no período foi de 168.962, um crescimento de 6,5%.
A CBIC atribui esse desempenho ao avanço em concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs), que têm sido compensatórios às dificuldades dos segmentos mais dependentes de crédito. Eduardo Almeida, presidente da entidade, disse que 84% dos investimentos em infraestrutura provêm do setor privado, segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB).
Apesar da resiliência do mercado de trabalho, a confiança empresarial mostra cautela. O Índice de Confiança do Empresário da Construção fechou o primeiro semestre com 47,2 pontos, nível mais baixo desde dois mil e dezesseis. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontou que a persistência dessa falta de confiança afeta decisões de investimento.
Os juros elevados continuam sendo a maior preocupação do setor, conforme levantamento da CBIC. Além disso, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 6,44% nos doze meses encerrados em julho, superando a inflação de 4,44% medida pelo IPCA.


