O presidente da Rússia, Vladimir Putin, visitou nesta quinta-feira (13/08) as ilhas Curilas, arquipélago controlado por Moscou e reivindicado parcialmente pelo Japão. A ida a Iturup, uma das ilhas mais ao sul da cadeia, motivou protestos em Tóquio, reacendendo a disputa territorial de longa data entre os dois países.
A visita ocorreu dois dias antes do Japão marcar os oitenta e um anos da rendição que encerrou a Segunda Guerra Mundial. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou que os Territórios do Norte são parte do território japonês e que a visita de Putin fere os sentimentos do povo japonês. Ela afirmou que a ação contraria a posição histórica do Japão sobre as ilhas.
Também na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, convocou o embaixador russo em Tóquio, Nikolai Nozdrev, para apresentar um forte protesto. O Ministério das Relações Exteriores japonês informou que a viagem de Putin terá um impacto extremamente negativo nas relações bilaterais. O Japão já havia protestado em dois mil e vinte e um quando o então primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, visitou Iturup.
Imagens mostram Putin visitando a unidade de processamento de pescado Yasny, um hospital e uma escola. Ele se reuniu com o governador da região de Sacalina, Valery Limarenko, e observou a produção pesqueira. Antes de ir a Iturup, o presidente esteve em Sacalina para uma reunião sobre a segurança das fronteiras orientais da Rússia.
As negociações diplomáticas entre Moscou e Tóquio não avançaram na questão territorial. A Rússia reforçou sua presença militar nas ilhas, que são de origem vulcânica. Um professor da Escola de Políticas Públicas da Universidade de Tóquio, Yee Kuang Heng, explicou que a visita pode demonstrar a capacidade de pressão de Moscou e sua insatisfação com sanções japonesas.


