Investidores estrangeiros retiraram R$ 11,93 bilhões da Bolsa brasileira (B3) nos sete primeiros pregões de agosto, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria. O volume coloca agosto como o segundo mês com maior saída de recursos no ano, atrás apenas de maio.
O dado, segundo Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, ganha relevância pelo período incompleto. A retirada em agosto já equivale a cerca de oitenta por cento do volume sacado em maio. Apenas no dia 11, quando o Ibovespa caiu dois vírgula cinco por cento, os estrangeiros retiraram R$ 4,7 bilhões em ações da B3.
O ritmo de saída acende alerta para o fechamento do mês, especialmente após a entrada líquida de R$ 2,56 bilhões registrada em julho. Em contraste, janeiro, fevereiro e março registraram entradas de R$ 26,31 bilhões, R$ 15,40 bilhões e R$ 11,66 bilhões, respectivamente.
Analistas apontam que a agenda doméstica influencia as decisões de investimento. Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, afirmou que o investidor global busca mercados com maior perspectiva de crescimento de lucros. Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, também indicou que a percepção sobre a eleição começou a afetar os preços.
O JPMorgan revisou sua estratégia para a América Latina no segundo semestre de 2026 e reduziu a recomendação para o mercado brasileiro de exposição acima da média para neutra. Os estrategistas do banco citaram crescimento mais fraco, deterioração do crédito, juros elevados e aumento da volatilidade por conta das eleições presidenciais de outubro.


