O Gabinete Federal alemão aprovou um projeto de lei que concede mais atribuições aos serviços de inteligência, como o Serviço Federal de Inteligência (BND). A medida visa fortalecer a defesa contra ameaças internas e externas, mas gera críticas sobre a separação de poderes.
Os órgãos de inteligência, que hoje focam majoritariamente na coleta de informações, poderiam, com a reforma, realizar atos de sabotagem no exterior em casos de perigo militar. Além disso, o serviço de inteligência interno obteria autorização para invadir residências sem necessidade de aprovação judicial, um direito que hoje é exclusivo da polícia.
A proposta, que representa a maior reforma da área desde 1945, também prevê que o BND possa manipular ou excluir dados e utilizar inteligência artificial para analisar grandes volumes de informações. Críticos, como a Sociedade para os Direitos Civis (GFF), alegam inconstitucionalidade, citando o acesso a vídeos privados e o cruzamento de dados biométricos.
Defensores da medida, como o ministro do Interior, Alexander Dobrindt (CSU), afirmam que a reforma é necessária para combater o terrorismo de estado moderno. Contudo, a GFF questiona se a consolidação sob um Conselho Independente de Supervisão enfraquecerá a fiscalização das agências, enquanto elas ganham mais autonomia.

