O tíquete médio do crédito próprio de varejistas cresceu 113% em relação aos cartões bancários tradicionais. A estratégia visa manter o consumo e fidelizar clientes em um cenário de orçamento familiar restrito, segundo levantamento da RPE.
O gasto médio em cartão de loja atingiu R$ 305,82, enquanto o valor médio em cartões de bancos foi de R$ 143,52, aponta a RPE, que analisou 15,9 bilhões de registros. Os meios de pagamento próprios já representam 15,52% do volume total vendido pelas redes varejistas, com o setor de moda liderando o uso, respondendo por 58,77% desse volume.
Lucas Dornellas, Chief Revenue Officer da RPE, explica que as redes integram serviços financeiros à estratégia comercial. Elas utilizam o crédito junto a descontos e programas de *cashback* para impulsionar vendas. A prática de descontos exclusivos para portadores do cartão da loja eleva a recorrência, que saltou de 15,66 para 29,08 visitas anuais em redes supermercadistas.
Apesar do endividamento familiar estar em 82% em julho de 2026, a perda líquida do varejo permaneceu estável em 2,28%. Dornellas atribui isso ao chamado “crédito de precisão”, que usa dados internos do varejista para definir limites adequados ao perfil de cada consumidor. O estudo indica que 83,06% dos clientes com mais de dez anos de vínculo com as redes pagam suas faturas em dia.
Apesar do bom desempenho das carteiras, as redes vendem seus recebíveis a grandes bancos por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). O CRO alerta que o varejo acompanha com cautela programas de renegociação de dívidas, temendo uma nova onda de inadimplência após o estímulo ao consumo.


