O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública se uniram para exigir dos candidatos às eleições de outubro de 2026 medidas contra a violência contra crianças e adolescentes no Brasil.
O representante da agência da ONU, Joaquim Gonzales-Aleman, afirmou nesta quinta-feira (13) que a violência interna e externa constitui a maior preocupação do Unicef no pleito. A campanha visa inserir o tema no debate político, exigindo respostas adequadas dos aspirantes a cargos executivos.
Funcionários da Unicef analisarão os programas de governo até o fim do prazo de registro de candidaturas, no próximo sábado (15). A agência pretende que os candidatos assumam publicamente um compromisso de priorizar o combate às mortes intencionais de menores de 18 anos.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, entre 2024 e 2025, mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes caíram 10,8%. Contudo, as duas mil e setenta e nove ocorrências registradas no ano passado resultam em, em média, cinco óbitos diários.
Layla Saad, representante adjunta para Programas do Unicef no Brasil, disse que o problema é estrutural e defendeu a necessidade de uma política nacional de prevenção que contemple responsabilidades federais, estaduais e municipais. Ela criticou propostas focadas apenas na punição.
O sociólogo Cauê Martins, do Fórum, alertou que propostas como a redução da maioridade penal ignoram a realidade. Segundo ele, entre 2016 e 2025, o número de adolescentes internados no sistema socioeducativo diminuiu cerca de 53%, recuando de 26.450 para 12.203.


