Os Estados Unidos incluíram o Brasil em uma rede de mais de quarenta países. Segundo a Casa Branca, essa rede é usada para redirecionar produtos chineses e reduzir ou evitar as tarifas cobradas na entrada dessas mercadorias no mercado americano. A acusação veio em relatório divulgado nesta quinta-feira (13).
O documento, intitulado “The Great Transshipment Scam”, sustenta que produtos de origem chinesa passam por terceiros países antes de chegar aos Estados Unidos. As operações podem envolver montagem limitada, reembalagem, troca de rótulos ou mudanças na documentação para alterar a origem declarada. O Brasil foi classificado no Nível 2, grupo de nações com grande volume de transbordo e forte ligação com as cadeias de suprimentos chinesas.
Nessa classificação, o Brasil figura também entre os “corredores latino-americanos”, ao lado de Argentina, Chile, Colômbia e Peru. Os EUA alegam que esses corredores permitem o redirecionamento de mercadorias pelos oceanos Pacífico e Atlântico, com posterior montagem regional antes do envio ao mercado americano. O mecanismo é chamado de transbordo ilegal.
A Casa Branca afirma que essa prática ganhou relevância após a imposição de tarifas adicionais a produtos chineses em dois mil dezoito. O governo americano calcula que a tarifa média atual sobre exportações chinesas se aproxima de cinquenta por cento. O relatório divide as economias em três grupos. O Nível 1 inclui Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan, por terem bases industriais diversificadas. O Nível 3 reúne nações menores, como Camboja, Laos e Myanmar.
As estimativas sobre o volume de mercadorias envolvidas variam de cerca de quarenta bilhões a trezentos e três bilhões de dólares anuais, segundo cinco estudos analisados pela Casa Branca. O órgão calcula que as perdas de arrecadação tarifária para os Estados Unidos podem ir de cerca de dez bilhões a mais de cem bilhões de dólares por ano.


