O Bitcoin paga mineradores de duas formas: um bônus de bloco que cai pela metade a cada quatro anos e as taxas de transação. As taxas, contudo, representam apenas 0,69% da receita dos mineradores, um patamar baixo em dez anos, o que gera debate sobre a sustentabilidade do sistema.
A recompensa inicial de 3,125 BTC por bloco, avaliada em cerca de 200 mil dólares, será reduzida novamente em abril de 2028, caindo para 1,5625 BTC. Após isso, o bônus será cortado pela metade em intervalos regulares até desaparecer por volta de 2140. Nesse cenário, a renda dos mineradores dependerá exclusivamente das taxas pagas pelos usuários da rede.
De acordo com dados da Glassnode, a participação das taxas representa o menor percentual em dez anos, permanecendo abaixo de um por cento desde o halving de abril de 2024. Essa tendência é considerada por algumas análises como um desenvolvimento relevante no ano.
Para que as taxas supram o valor atual do bônus de bloco, cada transação precisaria custar aproximadamente 0,00104 bitcoin, o que não ocorre. O bloco médio recebe entre 0,016 e 0,018 bitcoin, valor inferior à recompensa atual. A segurança da rede depende do poder computacional investido pelos mineradores, o que custa cerca de 5,2 bilhões de dólares para um ataque coordenado.
Embora a receita dos mineradores já enfrente quedas por outros fatores, como a redução de 33% na capacidade computacional desde outubro de 2025, o problema atual reside na migração de receita. A rede já absorveu quedas de poder de processamento, mostrando resiliência, mas a dependência crescente das taxas é o ponto de atenção.


