Uma operação de arbitragem no mercado de metais transformou o cobre em indicador de risco de novas tarifas nos Estados Unidos. O metal, fundamental para a indústria, registra alta e o diferencial entre bolsas americanas e europeias sinaliza preocupações com políticas comerciais.
O cobre, metal essencial para construção e eletrônicos, apresenta alta há mais de um ano, atingindo quase US$ 6,90 por libra em contratos futuros na semana passada. Tradicionalmente, o diferencial de preços entre a COMEX, nos EUA, e a London Metal Exchange (LME) servia para proteger riscos entre os mercados físico e futuro.
Analistas do Société Générale apontam que essa dinâmica mudou com a possibilidade de novas tarifas da Seção 232, enquanto uma investigação da Casa Branca segue em curso. Investidores passaram a usar o prêmio da COMEX para medir o risco tarifário. Estrategista de commodities do ING, Ewa Manthey, declarou que o diferencial se tornou um indicador das expectativas de tarifas.
O Société Générale calculou que o prêmio atual da COMEX indica uma probabilidade de 14,6% de implementação da tarifa escalonada de 15% até janeiro de 2027. Essa chance sobe para 37% caso a tarifa chegue a 30% em janeiro de 2028. A StoneX considera a decisão sobre a Seção 232 como o maior catalisador isolado para o mercado do metal.
Os Estados Unidos importaram mais de 200 mil toneladas métricas de cobre em julho, volume maior em 12 anos. Analistas do Société Générale afirmam que as autoridades americanas se preocupam com a dependência do país em cobre refinado importado, impulsionada pela demanda em inteligência artificial e defesa.


