O Brasil pode adotar medidas de retaliação contra os Estados Unidos que envolvem royalties, patentes e produtos audiovisuais, avalia Vinícius Rodrigues, professor de economia e relações internacionais. Segundo o especialista, a Lei da Reciprocidade Econômica funciona como ferramenta de pressão diplomática, sinalizando disposição para reação caso as negociações não avancem.
Rodrigues explica que acionar a Lei da Reciprocidade não implica a adoção automática de medidas contra produtos americanos. Ele alerta que uma resposta focada somente em tarifas pode prejudicar a economia nacional, pois o país importa insumos dos EUA para diversos setores, incluindo o agronegócio.
Entre as alternativas discutidas, a suspensão do pagamento de royalties a empresas americanas, especialmente no setor farmacêutico, figura entre as possibilidades. A área cultural e audiovisual, que abrange filmes e produtos americanos no mercado brasileiro, também é citada como frente de pressão.
O professor ressalta que tais ações configurariam uma escalada na disputa comercial e poderiam provocar novas retaliações americanas. Contudo, iniciar essas discussões pode levar os EUA a retornar à mesa de negociações, considerando a parceria de longa data.
A estratégia brasileira, segundo Rodrigues, deve ser vista no contexto de negociação em curso. O país já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), e os Estados Unidos aceitaram participar das consultas. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) também deve avaliar alternativas para evitar impactos na economia doméstica.


