O envelhecimento da população brasileira gera um cenário em que filhos idosos assumem o cuidado de pais com mais de oitenta anos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que a população com 60 anos ou mais cresceu 53,3% entre 2012 e 2024.
Um estudo realizado pela Escola Anna Nery, em Maringá, Paraná, indicou que quarenta e sete vírgula seis por cento dos cuidadores informais participantes da pesquisa eram idosos. Dos cento e um entrevistados, oitenta e um vírgula dois por cento eram mulheres, e trinta e um vírgula sete por cento prestavam assistência ao pai ou à mãe.
A demanda de cuidado evolui gradualmente. O acompanhamento inicial de consultas ou preparo de refeições pode se transformar em auxílio para levantar, tomar banho e caminhar pela residência. Tarefas que exigem força e equilíbrio colocam o cuidador em risco de lesões.
Bruno Butenas, fundador da Geração de Saúde, afirmou que o pedido de ajuda familiar muitas vezes só surge após uma queda ou internação do próprio cuidador. A sobrecarga familiar também foi reconhecida em políticas públicas recentes. A Lei nº 15.069, de dezembro de 2024, instituiu a Política Nacional de Cuidados.
O Plano Nacional de Cuidados, regulamentado em julho de 2025, prevê a corresponsabilização social e o suporte simultâneo para quem cuida e quem recebe assistência. A divisão de tarefas permite que o cuidador mantenha parte de sua rotina sem comprometer sua saúde.


