A comercialização de restos mortais antigos, como múmias, ocorre online sem que os vendedores forneçam orientações de segurança. Pesquisadores apontam que a interação com esse material biológico apresenta riscos patológicos e microbianos sérios.
A bioarqueóloga Kirsty Squires, da University of Staffordshire, analisou quase cento e trinta anúncios de leilões e postagens que vendiam restos humanos e animais mumificados. Os itens mais comuns incluíam partes do corpo, como mãos e pés, e mais da metade dos lotes analisados apresentava cabeças com diferentes graus de conservação.
Os vendedores frequentemente falhavam em informar sobre o manuseio correto dos objetos. Há também evidências de que os restos são enviados aos compradores, nacional e internacionalmente, sem consideração pelas implicações de saúde. Os perigos são duplos: alguns corpos contêm resíduos de substâncias tóxicas de mumificação, como chumbo, mercúrio e arsênio.
O risco de contaminação microbiana é elevado pela biodegradação. Um precedente histórico ocorreu na década de 1970, quando dez de doze conservadores morreram por inalação de esporos de mofo Aspergillus após abrir um túmulo na Polônia. Este evento ajudou a popularizar mitos sobre maldições antigas.
Squires advertiu que, apesar dos riscos de saúde e segurança, os vendedores no mercado não regulamentado costumam ignorá-los. Ela orientou potenciais compradores a ficarem atentos e a reportar itens suspeitos às autoridades competentes.


