O mercado acionário brasileiro registrou intensas retiradas de capital estrangeiro em 2026. O movimento ocorre em meio ao aumento de incertezas políticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos, segundo especialistas.
A reversão no fluxo de capital contrasta com a entrada líquida de recursos observada nos quatro primeiros meses do ano. Gustavo Pessoa, professor de economia e finanças da FGV, explica que a mudança não reflete deterioração nos fundamentos econômicos do país.
O professor aponta o ambiente de incerteza gerado pelo calendário eleitoral e pelas tensões comerciais entre as duas nações como fator principal. Ele afirma que, em períodos eleitorais, investidores costumam reduzir a exposição ao risco e adotar postura defensiva.
A política comercial dos Estados Unidos eleva a cautela dos investidores, diz Pessoa. A dificuldade de prever alterações nas tarifas dificulta decisões de longo prazo. Além disso, o nível dos juros brasileiros mantém pressão sobre investimentos, pois taxas elevadas reduzem o incentivo ao risco e aumentam a atratividade da renda fixa.
A política monetária americana também preocupa. Caso o Federal Reserve eleve os juros, ativos dos Estados Unidos podem atrair recursos que deixam o mercado brasileiro. O mercado local concentra empresas ligadas a commodities, o que direciona parte do capital estrangeiro a operações de curto e médio prazo.


