A deputada estadual Martha Rocha defendeu uma política de segurança pública focada na investigação e no bloqueio de recursos financeiros de facções e milícias. Em entrevista, ela criticou o discurso que associa o combate ao crime à morte de suspeitos, alegando que o Estado deve desarticular a estrutura econômica das organizações criminosas.
A parlamentar, primeira mulher a comandar a Polícia Civil do Rio de Janeiro, afirmou que as facções operam como empresas. Segundo ela, essas organizações dependem de recursos para adquirir armas, pagar membros, corromper agentes públicos e expandir seu território. O trabalho policial, defendeu Rocha, deve identificar os responsáveis, acompanhar movimentações financeiras e reunir provas para manter os criminosos presos.
Rocha também solicitou mais investimentos em tecnologia e inteligência policial. Ela apontou que o enfrentamento ao crime organizado não deve se restringir a operações ostensivas nas comunidades. A deputada considerou necessária a criação de protocolos de integração entre polícias estaduais, Polícia Federal e órgãos de controle financeiro, já que armas e drogas circulam além das fronteiras estaduais.
Em relação à gestão do estado, a deputada criticou as mudanças frequentes no comando das polícias durante o Governo Cláudio Castro. Para ela, essa troca de chefes impede a continuidade de projetos de longo prazo. Ela propôs a implantação de metas e indicadores permanentes, além de corregedorias policiais com maior autonomia para investigar desvios internos.
A parlamentar também abordou temas fiscais, criticando as emendas Pix pela falta de detalhamento sobre o uso dos recursos. Rocha defendeu que o orçamento público deve ser planejado pelas prioridades da população, e não apenas por negociações individuais entre parlamentares e governos.


