O índice Ibovespa registrou queda na sexta-feira, acumulando 7% de perda no mês de agosto. O dólar subiu para R$ 5,219, atingindo o maior patamar em quatro meses e meio, em um cenário de saques de investidores estrangeiros.
A baixa do índice marcou o nono dia consecutivo de declínio, repetindo uma sequência vista apenas duas vezes desde os anos dois mil. Segundo a consultoria Elos Ayta, o movimento de desinvestimento estrangeiro tem sido um fator de pressão no mercado.
Analistas apontam que o receio com o período eleitoral contribui para a retirada de recursos. Kimberley Sperrfechter, analista de mercados emergentes da Capital Economics, afirmou que os investidores estrangeiros buscam aumentar apostas em empresas de inteligência artificial nos Estados Unidos. A consultoria alertou que as ações brasileiras podem ter desempenho inferior aos pares de mercados emergentes neste ano devido a riscos políticos.
Bruno Lima, gestor de fundos de ações da Bradesco Asset Management, avaliou que a adoção da Lei de Reciprocidade pelo governo brasileiro pode ter piorado o humor do capital internacional. Ele atribuiu o movimento de saída estrangeira, somado ao patamar do petróleo, à pressão sobre o mercado. A temporada de resultados do segundo trimestre também não impulsionou o índice, com empresas reportando fragilidades em margem e custos.
Milena Landgraf, chefe de investimentos da Jubarte Capital, explicou que a fuga de investidores, aliada à falta de apetite para novas posições no Brasil por causa da incerteza eleitoral, pressionou o câmbio. Além disso, acordos políticos em Brasília influenciaram o aumento dos juros futuros, visto que a proposta de fim da escala seis por um implica aumento no custo do trabalho.


